12 dezembro 2007

O Monstruoso Obstáculo

(Clique nas imagens para ve-las em tamanho maior)


Iniciei a quarta e ultima rodada das minhas ferias de 2007 pretendendo passar e dormir o primeiro dia nas cercanias das Cachoeiras dos Venancios, nos primeiros quilometros da estrada de terra que liga Cambara a Jaquirana. A intencao, como sempre, era ver as paisagens menos usuais, so descortinaveis nas vias menos trafegadas e, dessa feita, inclusive com o proposito adicional de tentar capturar imagens de especimes de passaros. So que, saindo muito, muito cedo do portinho, sucedeu que cheguei `a regiao das Cachoeiras um pouquinho antes das 9 da manha.

Considerei nao valia a pena perder ali um dia inteiro das ferias visto que, estava demonstrado do ponto de vista temporal, a regiao estara sempre perfeitamente acessivel em poucas horas. Decidi ganhar chao, e segui em frente rumo ao norte onde tinha escolhido transitar, pela primeira vez, a rota que liga Bom Jesus a Sao Joaquim via Casa Branca, praticamente toda ela em estradas de terra. Tendo, por seguranca, reabastecido e colhido informacoes em um posto em Bom Jesus, o inicio da estrada ja era promissor...





Fui seguindo no tranco usual de 30-40km/h as voltas no barro e pedras, sempre mergulhado na magnifica luminosidade do dia e absorto pelas paisagens ineditas. Subidas, descidas, curvas e contracurvas e entao ja nao havia duvidas das proximidades do Rio Pelotas e da fronteira dos estados. Nao apenas pela usual trajetoria ingreme e tortuosa que encaminha aos rios maiores, como ate por avistar a imponente massa d'agua.

Eventualmente, a estrada comeca a flanquear o rio ate chegar a uma pequena ponte justo sobre a foz, em "Y", de um tributario.





Cruzada essa ponte, quase imediatamente ha um desvio `a esquerda na estrada que, vejo pela janela, leva a uma outra ponte, essa sobre o Rio Pelotas propriamente...
Sobre o rio, eu disse? Nao, nao.
SOB o rio!
Exceto pelas cabeceiras, a dita ponte estava praticamente toda submersa na correnteza volumosa, intensa e ruidosa...

— Nao deve ser aqui!, pensei, e resolvi seguir em frente a estrada que margeava o Pelotas pelo sul, apesar do que contava a imagem no GPS.



Par de quilometros adiante, tanto o GPS, como o progressivo afastamento das margens do rio, sentenciavam definitivamente que outra ponte por ali nao haveria. Maldizendo minha falta de previsao por nao ter, como costumo quando imagino um ponto da rota contenha algo de maior interesse, examinado previamente a area no Google Earth, arranjei um local da estrada com suficiente espaco para manobrar e retornei.



De volta `a encruzilhada, embico para a ponte submersa. Paro, desligo o motor. Desco, e acendo um cigarro...

Olhando a correnteza espumando nas abas da ponte, ouvindo o rugido grave, continuo e intenso, entre tragadas fico considerando: Passo? Ou volto?



Se por qualquer motivo 'naufrago' aqui, socorro talvez o mes que vem, imagino. Afinal, em todo o percurso desde Bom Jesus eu nao tinha cruzado um unico veiculo, nem indo, nem voltando. O rico do meu equipamento fotografico, todos os meus documentos importantes, o carro, a grana para a viagem, tudo a bordo... Se o rio levar, recuperar sera coisa de meses. Meses? Anos! Mas afinal, ha anos a ponte ha de estar ali; nao sera agora que vai ruir... E aquele galho, la no meio? Sera que tem espaco para eu passar sem bater? E essa ponte consta ate no mapa do GPS, oras. Outros com certeza passaram, e muitos. Mas com ela submersa? Nessa correnteza toda?

Chego ao fim do cigarro e decido: Vou!

Devia mas, estupidamente, nao considerei a hipotese de passar primeiro a pe, para sondar o fundo e, inclusive, remover aquele maldito galho. Sentei, liguei o motor, engatei uma terceira reduzida (diferencial bloqueado, rotacao alta e baixa velocidade para manter tracao e nao perder o torque; deixar apagar o motor com o cano de descarga submerso e' o fim) e mergulho na ponte, a agua pelos eixos. Avanco continuo, giro alto, sem solavancos ou maiores resistencias, consigo desviar do galho no meio com mais de dois centimetros de folga! Ja quase do outro lado, ja comecando a sentir um alivio, de repente um subito, ingreme afundamento da pista, a frente do carro baixa acentuadamente. Piso mais no acelerador para contrabalancar o forte aumento do arrasto, enquanto tento engulir o coracao de volta, de repente o rugido da correnteza subjugado por audibilissimos batimentos certamente acima de 120 por minuto! Me fudi!!...

Nada! Nem um metro e ja a frente levanta outra vez. Era so uma depressaozinha de uns 20 centimetros de fundura, em seguida estou nivelado e ja saio no seco do outro lado. Cacete!!

No seco, vinte metros alem da cabeceira, estaciono, desligo e desco para outro cigarro. Ao acende-lo noto o tremor fino, residuo inequivoco do cagaco-mor. Maldizendo outra vez minha estupidez de nao ter 'testado' o caminho a pe e com um bordao — idiota! — antes de continuar o rumo de Sao Joaquim, ufano e sorridente vou tomar umas imagens do "Monstruoso Obstaculo"...



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O resto da jornada correu sem eventos de monta. Em tempo, Sao Joaquim e dali pelo asfalto ate Bom Jardim da Serra e os confortos da antiga Pousada, hoje EcoResort do Rio do Rastro, para conhecer os novos chales (da Mata) desenvolvidos pelo Roberto,



incluindo direito a, muito merecida e bem-vinda, hidromassagem privativa



e, no fim do dia, digerindo a janta consumindo uma Eisenbahn Rauchbier bem gelada na varanda com calefacao, uma visao paradisiaca...



E, o mais legal, ano que vem tem mais...

06 junho 2007

Um jardim móvel

25 abril 2007

as casas do futuro flutuam

22 abril 2007

Essa Poa é Boa

13 fevereiro 2007

Janelas


Para pilotar windows vista, há que se ir até 08º 30'.20" S e depois seguir firme e sem desvios até 35º 00'.77" W. Pelo menos é o que dizem os mapas. Estando lá, não se sabe muito bem onde se está. É o que menos importa.



Vista do café




Vista de mirar




Vista de estar




Vista di fare niente



Vista d'olhos

P.S.: Imagens sem a qualidade e a arte que costumam pousar no blog, mas dá para ter uma idéia.

23 janeiro 2007

Até jamais, cometa...

(Clique nas imagens para ve-las em tamanho maior.)
O Cometa McNaught viajando ainda mais velocissimamente apos a "estilingada" gravitacional em torno ao Sol, segue celere sua trajetoria que muito provavelmente o afastara para sempre do Sistema Solar...

Ja que ontem Pedro afinal, pela primeira vez desde o surgimento do astro temporario decidiu conceder-nos um poente sem nuvens no horizonte oeste, e como o afastamento da Terra e do Sol vai tornando o viajante progressivamente menos brilhante (a magnitude que no auge chegara a -4, ontem estava em 0), resolvi registrar algumas imagens de despedida. No domingo, olhando na beira da praia aqui em Ipanema, entre as tantas nuvens que bordavam o horizonte mal e mal dava para perceber o cometa no ceu poluido pelo brilho da cidade; portanto fui, na sempre agradavel companhia do Solon, visitar as areias da Itapua gaucha, la por Viamao...

Ventania para ninguem botar defeito, em momentos chegando a desequilibrar uma postura mais descuidada e varias lampadas de vapor de sodio prejudicaram conforto e maxima visibilidade, mas o espetaculo ainda era algo de nunca se esquecer. Posto o sol, minutos depois ja se avistava Venus nitidamente e, passados mais alguns minutos, surgem os primeiros brilhos cometarios. (Na foto, Venus e' o brilhante ponto de luz na extrema direita, logo acima da barra de poluicao no horizonte.)

















A medida que iam-se escurecendo os brilhos do poente, a inacreditavelmente enorme cauda do (muito provavelmente) maior cometa a jamais brilhar nos ceus da Terra ia-se revelando mais e mais distintamente.

















Pouco antes da sua cabeca ocultar-se nos fiapos de nuvens — Pedro tinha de meter sua colher torta, o esclerosado! — nao havia como com uma mao extendida aberta tapar no ceu toda a vastidao do McNaught.
























Ao voltar para casa, ate as luzes da Juca Batista poluirem os ceus com claridade, era possivel ver com clareza a cauda ainda alta no sudoeste.


Adeus, cometa!
Quem te viu, viu maravilha. Quem nao viu...

20 janeiro 2007

Impressionante!

Enquanto o fabuloso Cometa McNaught enfeita os ceus do hemisferio sul com visoes que logo apos o por-de-sol embasbacam mesmo astronomos experientes — que se dira de nos, miseros mortais pouco afeitos em olhar os ceus? — o velho Pedro, birrento e implicantissimo como sempre, barrou a visao do horizonte oeste com nuvens baixas na 2a. e na 5a. e, nos demais dias dessa ultima semana, os mais propicios para avistar o viajante cosmico, fechou completamente a vista com nuvens carregadas...

Tendo conseguido obter algumas imagens na 2a., ao voltar para casa na 5a. e vendo o horizonte mais aberto, voltei `as margens do Guaiba buscando novas capturas. A visao foi realmente impressionante. O cometa, supostamente originario das lonjuras da Nuvem de Oort, em sua primeira e talvez ultima passagem pelo Sistema Solar Interior, pressionado por ventos solares abriu uma cauda que palavras simplesmente nao conseguem descrever, extendida para mais de dois diametros lunares de comprimento. Estupidamente nao tendo levado uma lente mais curta, enquanto me assombrava com o espetaculo indiscritivel da gigantesca cauda do astro constatava sua enormidade simplesmente ultrapassava os limites do enquadramento da teleobjetiva (clique nas imagens para ve-las em tamanho maior):
























Outros fotografos, menos ingenuos ou mais prevenidos, como Murray Helm da Nova Zelandia na imagem abaixo obtida do site do Spaceweather, conseguiram mostrar mais:































enquanto o proprio descobridor do cometa, Rob McNaught, conseguiu capturar a magnifica inteireza do espetaculo que o astro temporario ofereceu:














Quanto a mim, resta esperar que amanha, domingo, Pedro se distraia e deixe o horizonte aberto e o espetaculo ainda permaneca para eu tentar outras tomadas...

16 janeiro 2007

Inesquecível

(Clique nas imagens para ve-las em tamanho maior...)
O por-de-sol do Guaiba e' famoso. Mundialmente famoso, querem alguns...

Pois ontem, dia 15, havia centenas de pessoas no calcadao de Ipanema contemplando o afamado por-de-sol. Recolhido o astro-rei o calcadao, como usual, foi-se des- e as mesas de bar se populando. Quase ninguem reparou que, em meio ao crepusculo surgia uma estrelinha de brilho longo...
























Como o sol antes, a estrelinha foi mergulhando para o horizonte, penetrando o fulgor laranja do poente, furando com seu brilho intenso as nuvens e a poluicao que se acumulavam mais rente ao chao. Muito, muito poucos notaram...

























Eventualmente, claro, a estrelinha — o cometa C/2007 P1 McNaught, o Grande Cometa de 2007 — seguiu os passos do rei do Sistema Solar e brindou aos poucos que observaram com um evento tao raro como inesquecivel: o por-de-cometa!

02 janeiro 2007

O Acme

Nao se discuta ser o Rio Grande do Sul sui generis. Em tantas coisas...

Por exemplo, o geografico ponto mais alto de seu territorio, o pico do Monte Negro. Esse monte localiza-se no fundo de um canion dos Aparados da Serra, mais precisamente justo no Canion do Monte Negro, no municipio de Sao Jose dos Ausentes, um local em si sui generis ate pelo fato de, pisando os altos chaos do Rio Grande, poder-se avistar ate onde a vista perde resolucao os campos de Santa Catarina:



Quase no extremo de uma das altas escarpas do canion, justamente ali ergue-se o Monte Negro, em cujo pico situa-se, como mencionado, o ponto mais alto se possa alcancar em solo gaucho. Eventualmente, como na foto abaixo, coroado por nuvens, e' apenas mui raramente, muito excepcionalmente que debrua-se com neves que, com toda a certeza, nada tem de eternas, antes pelo contrario efemeras, efemerissimas. E, contaram-me, o comentario que tal acidente geografico com toda sua significancia, o que esse mais alto dos picos soi extrair daqueles que o contemplam costuma ser: "mas e' isso?"

Vejam voces...

21 dezembro 2006

quem pode, pode, e quem não pode, também pode: Feliz Natal!




Ipiranga-Silva Só

Longito, coincidências

Meio longe do portinho, la pras pontas do sudoeste da nossa pampa onde vinhedos, quem diria, tracam novas ondas no mar verde,



cruzei pras bandas orientais como costumo uma ou duas vezes ao ano, para me sortir disso e daquilo que la e' muito, muito melhor que aqui...

Pois debrucado em uma vitrina da Sarandi, curioso sobre o que exatamente seria certa engenhoca ali exposta, dao-me encontrao por detras. Viro-me de irritao, e me desarma e me embasbaca ver mui notoria figura com sorriso estampado de dentes e barba por fazer, numa surpresa tanta quanto a minha. Abracos e comentarios sobre a notavel coincidencia, papo rapido de novidades e donde andas, e ja tempo e compromissos nos levam um para cada lado...

Pouco mais tarde indo, parada inescapavel, andar no Carroussel, numa prateleira nova surpresa e nova coincidencia acabam por incluir mais um item no usual rol de aquisicoes. Vejam voces o que nos podem aprontar esses dezembros:

19 dezembro 2006

Fabiano Eller chegando em casa


10 dezembro 2006

Fluente

E' do tempo fluir e, em fluindo, alterar. Para la e para ca, indiferente, enquanto sentimos inevitavel necessidade de rotular: melhorou, piorou...

Em 2 de setembro de 2003 mirei para as palmeiras imperiais do meu vizinho e gravei isto:


Hoje, uma mesma mirada resultou nisto:



Mudou, claro. Que em verdade tudo e' sempre novo sob o sol.
Melhor? Pior?...
Ahi, sao voces.

Havera quem goste mais disso do que daquilo, sempre.
E havera quem nao goste de nada.
Nem disso:

04 dezembro 2006

Moeda forte

E' tanta introspeccao, sao tantos afazeres, tantas ocupacoes e preocupacoes que, frequentemente, ou quase sempre, nos passa desapercebido o fluxo da realidade, mesmo quando bem ali, ao nosso lado...

Entao, para talvez instigar, ou se nao para evitar fique muito tempo quieto esse espaco virtual, uns registos recentes na minha memoria aleatoria e em hardware binario...

Primeiro, umas flores que quase ninguem repara: a pujante florescencia de uma palmeira imperial abana diariamente para minha janela, dancando aos ritmos que o vento embala...




Depois, no meu jardim um pouco mais para o lado da mirada das palmeiras, servindo de biombo `a piscina um tufo de cipos cujo nome cientifico ou vulgar ignoro brota suas alvas flores sempre aos trios.

As petalas eventualmente irao enfeitar as aguas, o nectar cumpre ja sua missao interespecifica e atrai para sua perspectiva unica duzias de agentes polinizadores...







Eventualmente, as flores cumprem seu proposito, seus ovarios amadurecem, o engenho todo, complexo, arriscado, fascinante, tortuoso, complicadissimo, literalmente da frutos.

Para que tudo, ainda eventualmente, recomece, ao ritmo desse pulso que nos embala desde sempre.


Ha quem nao ligue.
Ha quem nem goste.
E, mesmo, ha quem nao veja.

16 novembro 2006

POA bucólica, antes que desapareça