Cronica do ranho
Um resfriado brabo (gripe nao deve ser, estou vacinado — mas parece) me deixou ha dois dias absolutamente ancorado em casa. Deslocar-se com febre nao e' doidura, e' burrice. Logo...A primavera, claro, ignora meus males e segue seu ritmo trepidante e suas idiossincrasias fora das janelas.
Uma historia corriqueira, mas interessante, desdobrou-se aqui no jardim, nas ultimas semanas. O beijaflor nosso velho conhecido, esse ahi do lado, seguindo os clamores da estacao arranjou uma parceria. Fuzarcas, cantorias, gritedos e, eventualmente, iniciaram a construcao de um ninho, alto e seguro, quase no topo da enorme figueira centenaria aqui da frente de casa...
Primeiro, voos levando raminhos, galhinhos, eventualmente uns algodoes, umas esponjas, umas las, para a construcao propriamente dita. Depois, a internacao meio silenciosa, o recolhimento por uns dias e recomecam os voos, bem mais frequentes. Com algum alarde, passam a debrucar-se na ''boca" do ninho, ja sem entrar.Entao, uns dez dias atras estou furungado no computador e escuto uma altissima gritaria, um escarceu na piscina. Olho, e tres bentevis estao-se jogando n'agua. Batem, espirrando agua... O que se sucedeu, imagino, tratava-se das primeiras licoes de voo aos filhotes, e um deles embestou de voar para a piscina. Os pais parece tentaram impedir, mas o infelizinho acabou mesmo 'pousando' na agua. Com impacto.
Felizmente para ele, ao assistir `a confusao reparei que, completamente ensopado, o filhote havia ficado 'nadando'; simplesmente nao tinha condicoes de voo, e as bordas da piscina nao lhe permitiam escalada. Antes que algo pior sucedesse, socorri-o com a cesta de limpeza da piscina e consegui coloca-lo a salvo no seco. Uns minutinhos ao sol, espanando a agua, quieto como guri mijado e daqui a pouco decola sobre o muro para o terreno do vizinho...
Ainda nao sei, e provavelmente nunca vou ter como ficar sabendo, se o filhote que 'salvei' acabou, ou nao, vingando. O fato e' que os pintos ja estao crescidos e frequentam ainda em conjunto o entorno do velho ninho embora, claro, cada vez distanciem e demorem mais seus voos e ausencias. Tanto quanto pude perceber redundaram quatro rebentos da ninhada, e vez por outra amontoam-se ainda, especialmente no abacateiro ao lado da piscina. Uma gangue barulhenta e que nao se cala um so segundo.
Alias, nesse mesmo momento compoem a trilha sonora que faz fundo a essas mal-batucadas...



