Covarde
Faz parte da minha rotina — se nao liturgia — matinal: acordar, acender o primeiro cigarro, sentar no computador, ver a APOD e ler a Tribuna, sempre a primeira na lista dos matutinos eletronicos que acesso quase que ritualmente todo dia. (Um parentese, para divagar: isso provavelmente se origina porque na decada de 70 a unica lasca da Imprensa nacional de entao que sabidamente nao aceitava a censura imposta era O Pasquim e a Tribuna. No portinho, o Pasquim se conseguia. A Tribuna, nao. A vontade que dava era algo. Algo que, regado a mate, hoje mato a cada dia.)
Ontem assisti fragmentos da entrevista coletiva do Severino. Do que vi, fiquei como que com uma comichao irritante: das tantas impressoes que a criatura passa, uma que nao passa e' de ser bom ator. O putismo-da-cara que sublinhava e acentuava suas negativas de autoria e clamor de armadilhamento pareceram-me genuinos. Mas nao sou imune certamente `as mares, e ante a mare de lodo que nos avassala, nao dei tento `a comichao, relevei, fui para a Formula 1 sem maiores coçares...
Hoje, lendo a coluna do Pedro Porfirio na Tribuna, fiquei envergonhado. Ele, como eu, teve comichao semelhante. So que ele nao relevou. Pelo contrario, cocou-a com intensidade. E, no cocar, apontou uma outra coisa que me estava latejando logo ali abaixo dos meus pensamentos e que eu nao havia conseguido expressar: por que cargas d'agua a nobre bancada da oposicao, justamente quem elegeu Severino presidente, agora quer arria-lo, imediatamente, de qualquer jeito, pela forca se for preciso.
O tempo, senhor da razao, dira se essa coceira, essa impressao, tem fundamento ou sera apenas outro dos meus tantos erros. Mas certamente nao desculpara que eu tenha tido necessidade de ter sido estimulado por outrem para dar credito a meus instintos.
Pois tchê Bro Dixit,
Assim como tu achei o Sévérino um mau ator, só que tive percepção e consequente conclusão diferente da tua.
Não consegui ver indignação no cangaceiro. Apenas, mais um, depoente mal treinado.
Mas fiquei a pensar no teu post por um tempo. E ...
Nah ...
Não consigo imaginar a hipótese que levantas.
Nesta época de nenhuma fidelidade e muito dinheiro em malas não se arriscariam em envolver garçons e motoristas em uma armação destas. A verdade viria a tona ligeirinho.
Além disto, bastaria o Sévérino apresentar comprovantes de que o contrato do Buani estava nos conformes. E isto ele não fez.
Mas? Nah! Nah!
EU JÁ SABIA !!!