20 setembro 2005

A ímpia e injusta guerra


Sabe moço
Leopoldo Rassier

Sabe moço, que no meio do alvoroço
tive um lenço no pescoço que foi bandeira pra mim.
E andei mil peleias, em lutas brutas e feias,
desde o começo até o fim.
Sabe moço, depois das revoluções
vi esbanjarem brasões pra caudilhos coronéis,
vi cintilarem anéis, assinatura em papéis,
honrarias para heróis.

É duro moço olhar agora pra história,
e ver páginas de glórias e retratos de imortais,
sabe moço, fui guerreiro como tantos,
que andaram nos quatro cantos,
sempre seguindo um clarim.
E o que restou, ah sim,
no peito em vez de medalhas,
cicatrizes de batalhas
foi o que sobrou pra mim.
Ah sim,
no peito em vez de medalhas,
cicatrizes de batalhas
foi o que sobrou pra mim