Ah... O tédio
Sabe-se, os ricos tem gostos e, principalmente, habitos incomuns, para nao dizer exclusivos. Os muito, muito ricos...
A edicao de hoje do Times oferece `a contemplacao dos meros mortais uma palhinha de alguns dos praticamente inalcancaveis pontos de paragem dessa limitadissima estirpe prenhe de bencaos de Midas e deuses monetarios menores: uma lista com os dez hoteis mais caros do planeta.
Acima e alem da media, todos os da lista. Acima e alem de todos — matematicamente, uma quantidade de grandeza acima do segundo colocado, para os que amam a exatidao — paira intocado, intocavel, delirante, The Mansion, em Las Vegas. Nao quero macar ninguem com detalhes tolos. Como a (re)construcao artesanal, tijolo a tijolo, in loco, da mansao florentina dos Medici, depois desfeita, transportada e reconstruida em Nevada. Ou a decoracao incluindo originais de Picasso, Matisse et caterva. Ou os mais de dois milhoes de reais so em tapetes para as areas publicas.Registro apenas, para tentar dimensionar a coisa, que a diaria mais em conta neste albergue gira ao redor da bagatela de nove mil reais. No apice, villa com direito a quatro dormitorios, meros vinte e cinco mil reais por noite. Valor que, saliente-se, nao inclui nem cafe-da-manha. Embora, claro, estejam permanentemente disponiveis, plantao de 24h, dois chefs. E, alem disso, o hotel afirma especializar-se em 'servico antecipativo', adivinhar seus desejos. Tudo, nao incluido, por supuesto...
Assim que, quando bater aquele tedio irritante, aquela falta de estimulo para comecar qualquer coisa, aquele clamor pelo ocio... pense Magisterio, pense Tramandai, Torres, Punta, Floripa, Baires, Ubatuba, Angra, pense Cancun, se estiver podendo. Podendo mesmo, e querendo testar sua sorte, tudo bem: pense Las Vegas.
Mas nao, recomendo, pense The Mansion.
os muito ricos esqueceram de usar teus vidros nos virtôs e os meus quadros nas paredes, que péssimo gosot!
gosto
Aos muito ricos, em geral, pouco se lhes da a arte em si, interessa-lhes o investimento. Como regra, entao, nao lhes agradam obras de vivos.
Pior para eles, claro. :)
Certo. E a primeira coruja a gente nunca esquece. Gracias.