O tamanho do tempo
Tudo que acontece nesse nosso planeta azul e que envolva energia — na vida, entao, nem se fala — esta mais ou menos intimamente relacionado com a nossa praticamente unica fonte de energia, o Sol, o Astro-Rei.Entre outras tantas peculiaridades o Sol tem uma 'atmosfera', a Corona, centenas de vezes mais quente que a sua superficie. O que a esquenta tanto? Fluxos de gases ionizados furiosamente energizados por campos magneticos intensissimos. A foto, do satelite TRACE, mostra (com diametros iguais a 30 planetas Terra colocados lado a lado) essas alcas magneticas na superficie do sol, escura em contraste com sua enorme temperatura.
A intensidade, frequencia e ocorrencia dessas alcas magneticas, como das manchas solares, sao parametros que medem o que se denomina de "atividade solar", e da atividade solar deriva a energia que, a final, nos move e a tudo, em nosso planeta e em todo nosso sistema solar. Essa atividade tem um ciclo, aumenta e diminui com relativa regularidade, aproximadamente a cada 11 anos.
Bueno, metaforicamente da para dizer que esses ciclos sao como que os batimentos cardiacos do sistema solar, se me permitem.
Esse convoluto preambulo para dizer que os muito longevos de nos conseguem viver, vivenciar 8, 9 desses ciclos, experimentam menos de uma dezena de batimentos do coracao do sistema.
Agora, mal comparando, imaginem um germe que nos habite — e os ha — cuja vida seja longa quando atinja o que dura 100 dos nossos batimentos cardiacos (dois minutos, para arredondar a conta). E imaginem esse germe querendo julgar de nossa evolucao, de nosso comportamento de seres humanos, baseado exatamente nessa sua looonga vivencia de 100 batimentos.
Isso e' mais ou menos o que pretendem os que observam fenomenos sistemicos como as mutacoes metereologicas pelo espacao que dura suas vidas e, baseados nessa vaaasta experiencia, querem julgar tendencias, estabelecer parametros, propor condutas.
Ou nao e'?
Caro articulista,
Devo dizer que, a contragosto, li com gosto teu exposto. Há muitas vidas luto contra a imbecilidade humana. Contra a tentativa, bem sucedida diga-se de passagem, de colocar a política e os desejos acima da ciência. Esta passa então a ser gerida pelos achismos, pela posição da manota do depoente. A Lei de Newton passa a ser uma lei brasileira, uma daquelas que "não pega", se atrapalhar as "teorias" dos iluminados salvadores da humanidade. 2 + 2 vira cinco. Ciência se confunde com religião.
Por azar, a média da humanidade é medíocre. E por maior azar ainda, os medíocres acabam ocupando postos chaves na política e na ciência.
E nos resta o esperneio. E a vontade de esganar.