02 novembro 2005

Bastilha

Criada no inicio de 2002 para oportunizar interrogatorios especiais para seletos prisioneiros oriundos do Afeganistao invadido (lembram? a 'guerra' de entao era contra o Taleban?), e' publico e notorio que A Matriz mantem em Guantanamo uma Prisao Imperial. Nao, nao a nomeei assim por acaso, nem por implicancia. E' fato: assumidamente aquela prisao foi criada e e' mantida para evitar limitacoes impostas pela legislacao americana, afinal aquilo nao e' territorio americano. Sendo uma base militar, em territorio hostil ainda por cima, tampouco se considera sujeita `as leis de Cuba, sequer `as convencoes de Genebra. Ou seja, la nao vale lei alguma, exceto a vontade imperial de sua administracao. O que la for feito, ou nao for feito, nao sera revisto por corte alguma.

Tanto e' assim que dos mais de quinhentos prisioneiros que "hospeda" — um numero incerto e nao sabido deles em greve de fome — nao mais que quatro tem contra si qualquer acusacao formal. Sao terroristas, oras, culpados a priori, nao merecem ritos de julgamento — e' a "logica" da Nova Bastilha.

Desde que foi criada, a ONU vem pedindo permissao para visita-la e inspeciona-la. Passados quase quatro anos, semana passada o governo dA Matriz decidiu conceder a permissao, convidou as Nacoes Unidas a conhecer as instalacoes, estabelecendo no entanto limitacoes quanto ao que poderia ser inspecionado. Uma limitacao em especial esta gerando serias controversias: os visitantes NAO poderiam entrevistar os prisioneiros.

Tres dos especialistas em direitos humanos da comissao indicaram que ate concordariam com algumas das limitacoes, mas nao aceitariam a proibicao de entrevistas privadas.
"Isso não apenas infringe os termos de referência para missões de investigação, como mina o objetivo de uma avaliação objetiva e justa", emitiram em comunicado, segunda-feira p.p.
Na terca, ontem, mr. Donald Rumsfeld, Secretario de Defesa dA Matriz, disse que nao, nao vai permitir as entrevistas:
"O Comitê Internacional da Cruz Vermelha tem feito isso por muitos anos e tem tido acesso total e completo desde que Guantánamo foi aberto. Portanto, nós não estamos inclinados a aumentar o número de pessoas que recebem esse extensivo acesso".
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