computadores usados
Editorial
Tratamento dos computadores usados
5 de Setembro de 2005 - Muita gente está entregando informações confidenciais na mão de bandidos. A popularização dos computadores pessoais, nos últimos 20 anos, aliada às constantes evoluções de processamento e capacidade de memória dos micros gerou a rápida obsolescência dessas máquinas. Entretanto, o descarte de micros antigos, além de criar um "lixo tecnológico" que assume enormes proporções, fez surgir um problema ainda maior e que, ao contrário do que se poderia pensar, não se relaciona com o acúmulo de sucata, mas sim com o que ela contém. De fato, muita gente está entregando informações confidenciais na mão de bandidos, sem sequer suspeitar. Isso porque não sabe que é possível recuperar praticamente 100% dos dados apagados dos computadores, mesmo com a formatação do HD ou disco rígido. E assim, pessoas – físicas ou jurídicas – jogam fora, doam ou vendem "baratinho" dados sigilosos e até pessoais. E, em tempos de informações críticas que valem dinheiro, o lixo nunca foi tão valioso. As medidas de segurança, até hoje, compreendiam o uso de antivírus e firewalls direcionados a redes e a conteúdos. Ninguém supunha que era preciso tratar as informações deixadas nos computadores usados, já que a maioria das organizações desconhece não apenas os riscos de segurança de dados associados ao maquinário para descarte, como também os sistemas disponíveis que conseguem apagar permanentemente essas informações. Assim, ficou uma brecha para que espiões obtenham dados críticos. As práticas e ferramentas utilizadas atualmente para apagar dados – deletar e reformatar o HD – permitem fácil recuperação. Os comandos Delete e Format afetam apenas o arquivo FAT (File Allocation Table). O resíduo do HD fica intacto e, assim, pode-se recuperar entre 90% e 100% das informações facilmente, já que existem muitos softwares disponíveis. Vejamos: dentro desses micros descartados, e com os quais ninguém mais se preocupa, todas as informações que um dia foram armazenadas podem ser restauradas, em geral para fins maliciosos ou comerciais. É plausível dizer que a sucata tecnológica é muito valiosa. Contém arquivos recuperáveis, como planejamentos financeiros, dados pessoais, número de contas e de cartão de crédito, andamento de processos judiciais, além de pesquisas e desenvolvimento de produtos, que absorvem investimentos da ordem dos milhões de dólares. E, embora seja uma violação dos direitos do dono das informações, é preciso reconhecer que quem se apropria delas nem mesmo pode ser enquadrado como ladrão, já que não houve roubo. Pelo contrário, esse conteúdo foi comprado, jogado no lixo ou ganhado. E, antes de se travar uma discussão jurídica do assunto, sem dúvida necessária, o melhor mesmo é prevenir. Afinal, estamos falando de arquivos secretos ou pessoais que podem cair em mãos erradas, e as conseqüências poderão ser desastrosas. Basta imaginar que os dados confidenciais obtidos por meios ilícitos de recuperação de dados podem destruir o relacionamento com clientes, além de acarretar complicações judiciais. É evidente que a exposição de informações sigilosas implica, além de tudo, o descumprimento de obrigações legais previstas em contrato, em cláusulas de confidencialidade. Mesmo que não seja intencional, causa prejuízos e, portanto, enquadra-se como "culposo", o que deve obrigar as empresas a adotar políticas de segurança que incluam o tratamento dos computadores usados. Felizmente, já existem softwares capazes de "limpar" permanentemente o HD. São soluções conhecidas pelo nome genérico de "trituradores digitais". Baseiam-se em um programa que atua no disco rígido e usam um método de escrever sobre o que estava escrito, tornando os dados contidos anteriormente irrecuperáveis. Essas soluções são extremamente eficientes e podem garantir proteção efetiva. Além disso, esse "triturador digital" é extremamente fácil de usar e pode ser incorporado aos procedimentos de segurança da empresa, sem acarretar maiores demandas. Apenas para servir de alerta, é bom lembrar que a sucata tecnológica já causou vários problemas. Quem não se lembra do portfólio financeiro de Paul McCartney, que foi parar na internet, depois de ter sido resgatado de um micro descartado pelo ex-Beatle? Outro caso bastante conhecido foi o da recuperação, pelo FBI, dos e-mails deletados, trocados entre o ex-presidente Clinton e Monica Lewinsky. E até documentos ultra-secretos do governo australiano foram recuperados de um computador de segunda mão. Por isso, esses "trituradores digitais" devem ser usados antes de se devolver um micro alugado, antes de doá-lo, vendê-lo ou enviá-lo para a manutenção, e mesmo quando muda de mãos dentro da empresa. Somente assim o lixo tecnológico será apenas sucata. (Gazeta Mercantil/Caderno A - Pág. 3)(Henrique Barreto Aguiar - Diretor da BCS Informática, especializada em soluções para a área jurídica e para o setor corporativo.)